sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Luís Vaz de Camões, Neo - Classicismo e poesia lusófona


Breve relato sobre a vida de Camões


Qualquer especialista em literatura dos povos de língua portuguesa reconhece o valor, o talento e a notoriedade de Luís Vaz de Camões, um poeta que dispensa comentários.

Todavia, muitos detalhes da sua vida são desconhecidos. Estima-se que teria nascido em meados de 1525 (?) e sua provável cidade natal seria Lisboa.

Não há registros sobre a sua infância, tampouco se sabe quem foram os seus pais. Fato comum entre estudiosos e pesquisadore é que, mesmo assim, tinha família proveniente de fidalgos portugueses que lhe conferiram uma formação exemplar, fato este nitidamente comprovado no brilhantismo de sua obra fortemente influenciada pela leitura de filósofos e de sua formação sob a chancela de seu tio, Bento de Camões, Prior do Convento de Santa Cruz da cidade de Coimbra.

O início da vida adulta, dos primeiros amores e o convívio com a juventude fidalga da época, dá-se por volta de 1545.

- A vida em Lisboa

Na cidade de Lisboa, Camões começa uma vida intensamente boêmia e tumultuada envolvendo-se em brigas com fidalgos arruaceiros e prostitutas do Bairro Alto de Lisboa.

O meio aristocrático, rodeado de damas e o bom relacionamento com fidalgos da corte, como filho de curador de Linhares e D. Francisco de Aragão conferiram certo prestigio ao jovem aventureiro em Lisboa.

- O serviço militar

Em 1550, Camões entra para o serviço militar português tornando-se Cavaleiro Fidalgo da Casa Real, alistado para as Índias. Contudo, não vai para lá, por motivos de força maior, vai para Ceuta.

Em 1558, na luta contra os mouros, Camões perde o olho direito, ao fim do desterro, voltando para Lisboa, é condenado a um ano de cadeia por uma briga com um funcionário do Palácio. Recebe o perdão do ferido e do Rei D. João III

- Camões parte para a Índia

Em 1559, Camões parte para a Índia a serviço do império. Sem dúvida, uma viagem que em muito influenciará sua obra maior.

Mas a viagem também lhe custou muitas agruras e adversidades; sofreu uma tempestade perto do Cabo da Boa Esperança e naufragou na Indochina, na foz do Rio Mecong, quando voltara do Oriente - nesse acidente, perde sua companheira chinesa Dinamene e, de forma inacreditável, consegue salvar-se a nado carregando os manuscritos de "Os Lusíadas". por dívidas, acaba preso em Goa.

Em 1555, representa o Auto do Filodemo e um ano depois, é nomeado "Provedor mor dos bens de defuntos e ausentes", na cidade de Macau, na China. Da sua estreita relação com os vice-reis D. Constantino de Bragança e D.Francisco de Sousa Coutinho, veio a sua nomeação para a Feitoria de Chaul, sem que Camões tome posse.

- O regresso a Portugal e os últimos dias da vida de Camões

Com ajuda financeira de Diogo do Couto e outros amigos, responsáveis por quitar as dívidas e custear a sua viagem, Camões retorna para Portugal sem a obra Parnaso Lusitano, roubada, e com Os Lusíadas, sua maior obra literária publicada em 1572.

Em Lisboa, o fim de sua vida é calamitoso e miserável. Vivia de uma pensão dada por D. Sebastião que, além de ser paga irregularmente, jamais foi o suficiente para a sua sobrevivência: 15 mil réis de terço anual.

Em 1580, morre o ilustre poeta, sepultado pela instituição beneficente, a Companhia dos Cortesãos. Encerra-se, assim, a vida agitada, aventureira e desafortunada desse poeta que jamais deixará de ser reconhecido como um dos maiores poetas de língua portuguesa de todos os tempos.


Fonte de pesquisa: LITERATURA COMENTADA - LUÍS VAZ DE CAMÕES

EDITORA NOVA CULTURAL 


Um dos sonetos de Camões:


 Amor é fogo que arde sem se ver,

    É ferida que dói e não se sente;

    É um contentamento descontente;

É um não querer bem mais do que bem querer;

    É solitário andar por entre a gente;

    É nunca contentar-se de contente;

    É dor que desatina sem doer;

É querer estar preso por vontade

    É servir a quem vence, o vencedor;

    É ter com quem nos mata lealdade;

Mas como causar pode o seu favor 

     Nos corações humanos amizade,

    Se tão contrário a si é o mesmo amor?


Comentário sobre o poeta Luiz de Camões

    O estilo de época de Luiz de Camões é o Neo-Classicismo, ou seja, o período histórico de transição entre a Idade Média e o Renascimento, o período de novas invenções no campo da ciência, artes, cultura e tecnologia, bem o surgimento de novas correntes filosóficas e das grandes conquistas portuguesas do Século XV.

    Mas a importância de Camões não está na sua vida pessoal em si, mas no fato de que as suas obras influenciaram outros grandes escritores portugueses (Como Almeida Garret e Manuel Maria Barbosa du Bocage, por ex.) e suas obras (como o soneto acima) são reconhecidas e admiradas até os dias atuais.


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