Dádiva do deserto
Um deserto tenebroso e vazio é o meu viver,
A solidão que castiga o meu ser,
Areias de dor me fazem sofrer!
Sou um viajante e nesse deserto tento respirar,
Em meio ao sol causticante eis-me a chorar!
Momentos de uma profunda lamentação,
Espinhos e rochedos machucam o meu coração,
Olho ao meu redor, sem rumo, sem direção!
De súbito, uma imagem, uma aparição inusitada!
Será uma miragem ou uma ilusão da minha mente alucinada?
Em meio a áridas distâncias, vejo essa imagem emergir
E bem perto de mim um semblante a sorrir!
Linda, formosa, deslumbrante, poderias existir?
Meu coração encontra luz em ti, esse deserto se transformou!
Uma esperança onde tudo é inóspito me encontrou!
Uma irresistível e ardente paixão me incendiou!
Quando tudo nesse deserto caminhava para o fim,
Eis que te sinto cada vez mais perto de mim!
De súbito, areias dão lugar a um oásis de esperança,
A paz que eu tanto busquei nessa fatigante andança,
Dias e noites de infelicidade agora são jardins de bem-aventurança,
No meu e no teu olhar a certeza, a mais plena confiança!
Eis que rasgo esse teu véu e te descubro por inteira,
Essa paixão entre nós é recíproca e verdadeira!
A ti me entrego por inteiro sem medo e sem temor!
Sou e sempre serei o teu amado, esteja onde for!
Dádiva do deserto és tu, meu grande amor!
Eduardo Poeta.
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