quarta-feira, 9 de março de 2022

 

Dádiva do deserto


Um deserto tenebroso e vazio é o meu viver,

A solidão que castiga o meu ser,

Areias de dor me fazem sofrer!

Sou um viajante e nesse deserto tento respirar,

Em meio ao sol causticante eis-me a chorar!

Momentos de uma profunda lamentação,

Espinhos e rochedos machucam o meu coração,

Olho ao meu redor, sem rumo, sem direção!

De súbito, uma imagem, uma aparição inusitada!

Será uma miragem ou uma ilusão da minha mente alucinada?

Em meio a áridas distâncias, vejo essa imagem emergir

E bem perto de mim um semblante a sorrir!

Linda, formosa, deslumbrante, poderias existir?

Meu coração encontra luz em ti, esse deserto se transformou!

Uma esperança onde tudo é inóspito me encontrou!

Uma irresistível e ardente paixão me incendiou!

Quando tudo nesse deserto caminhava para o fim,

Eis que te sinto cada vez mais perto de mim!

De súbito, areias dão lugar a um oásis de esperança,

A paz que eu tanto busquei nessa fatigante andança,

Dias e noites de infelicidade agora são jardins de bem-aventurança,

No meu e no teu olhar a certeza, a mais plena confiança!

Eis que rasgo esse teu véu e te descubro por inteira,

Essa paixão entre nós é recíproca e verdadeira!

A ti me entrego por inteiro sem medo e sem temor!

Sou e sempre serei o teu amado, esteja onde for!

Dádiva do deserto és tu, meu grande amor!


Eduardo Poeta.

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