Vida e obra de Gibran Kahlil Gibran
Considerado como um dos maiores escritores do mundo árabe, Kahlil Gibran nasceu em 6 de dezembro de 1883 na cidade de Bicharre, Libano. Depois de uma infância financeiramente atrubulada, vai para os Estados Unidos com sua mãe, o irmão Pedro e as duas irmãs mariana e Sultane. Estabelece residência em Boston e seu pai permanece no Libano.
Retorna ao país de origem para concluir seus estudos árabes no Colégio da Sabedoria, em Beirute.
O retorno a América e a a ascensão do poeta.
No ano de 1903, morre sua mãe e seu irmão. Nesse período, começa a compor seus primeiros poemas, publicados no jornal Al-Muhajer 9 (O Emigrante), sendo que seu estilo atraiu a atenção do mundo árabe. Sua primeira pintura lhe rendeu uma exposição e desperta o interesse da diretora escolar, Mary Haskell, que custeou seus estudos na escola artística de Paris.
Estuda na Académie Juliet e inicia um período de intensa produção artística e literária, além de participação ativa em diversos eventos, exposições e bibliotecas. Morre seu pai e sua irmã Sultane.
De volta a Boston, muda-se para Nova York, estabelece residência em um apartamento, sua irmã, Mariana, permanece em Boston. Ao lado de grandes escritores libaneses e sírios, fundam a academia literária Ar - Rabita Al - Kalamia (A Liga Literária)
Obras de Kahlil Gibran
Gibran, que já no áuge de sua careira literária passa a escrever em inglês, obtém a consagração com obras como: O louco, 1920; O percursor, 1923; O profeta; 1927; Areia e espuma; 1928; (Jesus , o Filho do Homem; 1931, Os Deuses da Terra. Postumamente, mais dois livros: O Errante; 1923, O Jardim do Profeta, todos estes lançados pelo renomado editor americano Alfred A. Knopf.
Morte e homenagens a Kahlil Gibran.
Gibran more em 10 de abril de 1930 no Hospital São Vicente em Nova Iorque, causando profunda comoção nos Estados Unidos e em todo o mundo árabe. Em 1931, seus restos mortais chegam a cidade de Beirute, em meio a profunda e gigantesca aclamação popular.
Enterrado em Bicharre, sua cidade natal, seu túmulo passou a ser lugar de peregrinação. Ao lado do seu sepulcro, o Comitê Nacional de Gibran edificou um museu onde parte de suas obras literárias e pinturas são expostas.
A inscrição em cima do túmulo: "Aqui, entre nós, dorme Gibran" faz jus a este grandioso poeta, escritor e pintor que, como outros tantos, pelos séculos dos séculos, revelou ao mundo a mística e fascinante descrição dos costumes, pensamentos e tradições do mundo árabe.
FONTE DE PESQUISA: O PROFETA - TRADUÇÃO E APRESENTAÇÃO DE MANSOUR CHALITA - AS OBRAS PRIMAS DA POESIA E DA SABEDORIA DO ORIENTE. ASSOCIAÇÃO CULTURAL INTERNACIONAL GIBRAN - DIREITOS AUTORAIS: MANSOUR CHALITA.
Gibran, literatura árabe e estilo de época.
Diferente da poesia ocidental que, durante vários períodos e épocas passou por vários estilos e movimentos literários - trovadorismo, classicismo, barroco, arcadismo, romantismo, simbolismo parnasianismo e modernismo - , a literatura árabe confunde-se com o próprio surgimento da escrita desde os tempos mais remotos e admite-se que o Oriente Médio e o mundo árabe foram o berço de toda a literatura universal.
Assim sendo, mesmo passando pelas transformações históricas da antiguidade e da modernidade, a poesia árabe tem como fundamento básico a Mística (poemas de temática espiritualista e religiosa centrada nos princípios e ensinamentos do Islamismo) e os costumes, pensamentos filosóficos, existenciais e tradição da vida e do mundo árabe em geral.
Veremos um exemplo desta temática tradicional e milenar em dois trechos de suas obras das mais conhecidas e lidas de Kahlil Gibran: O Profeta e Kahlil Gibran e Mari Haskell - o grande amor do Profeta:
Então, um lavrador disse: "Fala-nos do trabalho"
E ele respondeu dizendo:
"Vós trabalhais para acompanhar o ritmo da terra, e da alma da terra.
Pois ser indolente é tornar-se estranho às estações e afastar-se do cortejo da vida, que avança com majestade e orgulhosa submissão rumo ao infinito.
Quem de vós aceitaria ser um caniço mudo e surdo quando tudo o mais canta em uníssono?
Sempre vos disseram que o trabalho é uma maldição, e o labor, uma desgraça.
Mas eu vos digo que, quando trabalhais, realizais parte do sonho mais longínquo da terra, desempenhando assim uma missão que vos foi designada quando esse sonho nasceu.
E, apegando-vos ao trabalho, estareis na verdade amando a vida. E quem ama a vida através do trabalho, partilha do segredo mais íntimo da vida. (...)
(...) O trabalho é amor feito visível.
E se não podeis trabalhar com amor, mas somente com desgosto, melhor seria que abandonásseis vosso trabalho vos sentásseis a porta do templo a solicitar esmolas daqueles que trabalham com alegria. (...)"
Trecho do livro O Profeta - pagina 23, O trabalho.
O livro O Profeta, considerado uma das mais célebres e bem sucedidas obras de Kahlil Gibran, narra os últimos momentos do Líder espiritual, personagem cujo nome é Al Mustafá, numa terra distante - a cidade de Orphalese - onde o mesmo reuniu pessoas ao seu redor que lhe pediam conselhos acerca dos mais diversos assuntos da vida existencial e só depois de cumprida essa ultima missão, embarca de navio a sa terra natal.
Nesse trecho, discorre, de forma profunda e, por vezes, filosófica e espiritual, a necessidade de ser ter amor ao trabalho e, por consequência, trabalhar com alegria naquilo que se gosta e se preparou durante anos e anos de competência e dedicação durante toda a vida. Eis, aqui, uma busca incessante de todo o ser humano: o trabalho gratificante, compensador quando feito com amor e não como um fardo pesado e uma mera obrigação e necessidade imposta pelo mundo e as circunstâncias da vida.
Esse livro, através do personagem criado pelo autor Al Mustafá, escrito em formato de poesia em prosa, retrata a faceta mais impressionante e fascinante da sabedoria ocidental, sendo que suas mensagens edificantes, provocadores e construtivas nos levam a uma profunda reflexão de fé, esperança e dedicação a vida e a espiritualidade. O título de sua obra - O Profeta - acabou por tornar-se uma característica atribuida ao proprio escritor, dada a sua genialidade de transmitir por meio da sua literatura a essência da sabedoria e da mística milenar do mundo árabe.
Trecho do livro Kahlil Gibran e Mary Haskell - o grande amor do Profeta.
Nova York, Sábado, 17 de junho de 1922
Adorada Mary:
Deus me tem dado muito através de você. Quão abençoado é ser-se uma das mãoss de Deus! E que a felicidade, mais do que felicidade, sinto em conhecer essa mão, tocá-la e dela receber. É tão bom ser um pequeno salgueiro à margem de um grande rio.
Que Deus a abençoe, adorada Mary. E que seus cândidos anjos estejam com você, no mar e na terra.
Com amor, Kahlil.
O trabalho de coletânea das cartas e bilhetes trocados entre Kahlia Gibran e Mary Haskell foi relizado por Virgínia Hilu e compreende 325 cartas de Gibran e cerca de 290 de Mary para ele, no período que vai de 1908 a 1931. Os 47 diários de "cinco- linhas-por-dia são registros de atividades pessoais de Mary, bem como breves relatos sobre seus encontros com Gibran.
Fonte de pesquisa: O Grande Amor do Profeta As cartas de amor de Kahlil Gibran e Mary Haskell e o seu diário particular
Revisto e corrigido por Virgínia Hilu, tradução de Valerie Rumjanek.
DISTRIBUIDORA RECORD - RIO DE JANEIRO - SÃO PAULO
O legado da obra de Kahlil Gibran
Contemplar a obra de Kahlil Gibran é, antes de tudo, uma profunda e sensível reflexão que nos volta ao intimo da alma, a razão de ser e de existir e, mais do que nunca, um verdadeiro apelo a fé e a religiosidade. A obra de Gibran, fiel do início ao fim ao seu estilo e originalidade, nos faz extrair o que há de mais belo, precioso e enriquecedor dos costumes, tradições, mistérios e sabedoria de todas os árabes, em geral. Ao lado de grandes escritores árabes modernos como Khaled Houseinni e Salmon Rushdie, os brasileiros de origem árabe como o matemático Malba Tahan e o grande erudito literário Mansour Chalita, sem dúvida, constitui um tipo de literatura que conseguiu transpor as fronteiras do oriente médio e conquistar leitores de todas as classes sociais e níveis intelectuais não só do mundo árabe como de todo o mundo, tornando-o assim um nome importante da poesia árabe e todo o seu vasto conteúdo e acervo literário de geração a geração.
Eduardo Poeta - 30 de março de 2022
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